Adolescentes em risco: Campanha visa alcançar mais de 49 mil jovens no estado, com foco em Campo Grande. O HPV está associado aos: câncer de colo do útero, câncer de pênis, câncer de ânus e câncer de orofaringe.

Mato Grosso do Sul enfrenta um desafio significativo na imunização de adolescentes contra o Papilomavírus Humano (HPV). Dados recentes indicam que, em Campo Grande, 20.758 meninas e 28.293 meninos, totalizando 49.051 adolescentes, ainda não receberam a vacina. Para combater essa defasagem, o Ministério da Saúde lançou uma campanha de resgate, priorizando a capital devido ao elevado número de não vacinados.
A imunização contra o HPV é realizada em dose única e é destinada a adolescentes de 15 a 19 anos. A campanha prevê atividades em unidades de saúde e locais estratégicos, como escolas e shoppings, desde que ofereçam um ambiente seguro para a vacinação. Embora a duração estimada seja de até três meses, a data de início ainda não foi definida.
Estudos nacionais destacam a prevalência do HPV entre jovens brasileiros. Uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde revelou que 54,4% das mulheres e 41,6% dos homens que iniciaram a vida sexual estão infectados pelo vírus.
Em Campo Grande, a participação em estudos como o “Pop Brasil” reforça a importância da vacinação, evidenciando a necessidade de ampliar a cobertura vacinal entre os jovens.
A baixa cobertura vacinal é preocupante, especialmente considerando que o HPV está associado a diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero. Estudos internacionais apontam que até 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida, percentual que pode ser ainda maior entre os homens.
A vacinação é uma medida preventiva eficaz e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). É fundamental que os adolescentes e seus responsáveis estejam conscientes da importância da imunização para a saúde individual e coletiva.
Alerta importante sobre o vírus
Papilomavírus Humano (HPV) é uma infecção sexualmente transmissível muito comum, que pode causar desde lesões benignas, como verrugas genitais, até cânceres graves, se não for prevenido ou tratado adequadamente. Aqui estão os principais riscos associados ao vírus:
Desenvolvimento de Câncer
O HPV está diretamente ligado a diversos tipos de câncer, pois algumas cepas do vírus (principalmente os tipos 16 e 18) podem causar mutações nas células infectadas. Os principais cânceres associados ao HPV são:
Câncer de colo do útero – Responsável por quase 100% dos casos da doença no mundo.
Câncer de pênis – Embora menos comum, pode ser fatal e frequentemente está associado à falta de higiene íntima.
Câncer de ânus – Mais frequente em pessoas imunossuprimidas e na população LGBTQIA+.
Câncer de orofaringe (boca e garganta) – Associado à transmissão do HPV por meio do sexo oral.
Verrugas Genitais
São lesões benignas, mas altamente contagiosas e de difícil tratamento.
Podem aparecer na região genital, ânus, boca e garganta.
Em alguns casos, podem crescer e formar grandes massas, causando desconforto físico e emocional.
Infecção Persistente e Assintomática
O HPV pode permanecer no organismo sem apresentar sintomas, o que facilita sua transmissão sem que a pessoa saiba que está infectada.
Muitas infecções desaparecem espontaneamente, mas algumas persistem e podem evoluir para doenças graves.
Complicações na Gravidez
O HPV pode ser transmitido da mãe para o bebê durante o parto, causando papilomatose respiratória recorrente (PRR), uma condição rara em que verrugas se formam nas vias respiratórias da criança.
Impacto Psicológico
O diagnóstico de HPV pode afetar a autoestima e a vida sexual do indivíduo, gerando ansiedade e depressão. O tratamento pode ser longo e doloroso, principalmente nos casos de lesões persistentes.
Prevenção
A melhor forma de prevenir o HPV é através da vacinação, disponível gratuitamente no SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos, além da uso de preservativo durante relações sexuais.
A detecção precoce também é essencial. Para as mulheres, o Papanicolau é um exame fundamental para prevenir o câncer de colo do útero, detectando alterações nas células antes de se tornarem cancerígenas.
Foto (capa): Marcelo Camargo/Agência Brasil






