A prefeitura de Campo Grande iniciará dentro de duas semanas um novo ciclo de comando político e administrativo – evidentemente, carregado pelo conteúdo ideológico tão ostensivamente alardeado pela prefeita Adriane Lopes. Com aval da Câmara de Vereadores para reformar o sistema orgânico e operacional da gestão, ela pratica o primeiro ato oficial de impulso para abrir o próximo mandato, a partir de 1º de janeiro.
Extinguir, criar e transformar secretarias; demitir o excesso de gente na folha de pagamentos; e desfazer confusões e sobreposições conflituosas entre funções-meio e funções-fim são algumas providências que precisam de olhares e planejamento firmes, cuidadosos e dotados de direções técnicas e conceituais seguras, sensatas, republicanas. Caso contrário, será inócuo tirar um entulho e abrir espaço para o ingresso de outros.
Que há necessidade e urgência para implementar medidas de controle do custeio e, simultaneamente, que deem leveza e agilidade a um sistema funcional tradicionalmente lento e paquidérmico, não restam dúvidas. Gasta-se muito no desperdício, no supérfluo, no descaminho, na leniência e, em geral, nos desvãos da politicagem e do compadrio. E ressalvem: isto não é um “privilégio” desta gestão, mas um fenômeno talvez majoritário pelo País afora.
Todas as afirmações e análises feitas até aqui encontram um limite na realidade cruel e recorrente das administrações e mandatos públicos: o jogo bruto, insinuante e sedutor da desmedida ambição política, que é casada em comunhão de bens com sua irmã, a ambição financeira. Nesta incestuosa e antirrepublicana relação, orçamentos são destruídos, prioridades invertidas e meritocracias rebaixadas ao mais raso rés do chão.
Consequentemente, enquanto tal cenário instiga os aproveitadores de plantão, agrava-se a situação de padecimento e de carências que infelicita o município e os munícipes. Estas observações, longe de compor malsinadas previsões, estão na ordem do dia para uma cidade que já pisa os rastros da histórica marca de um milhão de moradores.
Que a prefeita, então, seja feliz na sua reforma e atenda aos campo-grandenses e a Campo Grande com a gestão que ambos precisam, merecem e ainda não têm. Que se efetive a economia de custeio em ao menos R$ 200 milhões por ano. Que todo este esforço se revele minuciosa e inteiramente nos resultados e avanços da cidadania, da transparência e da prosperidade coletiva.
A extinção e o rebaixamento de pastas socialmente importantes nos dão um alerta preocupante. Se por um lado é benfazejo reduzir os excessos nos gastos supérfluos, por outro é arriscado ver o nascimento da dúvida sobre o tamanho da capacidade que a gestão terá para responder e corresponder às exigências de bem-estar, direitos, artes, lazer, igualdade, inclusão social e sustentabilidade.
Com esperança, mas sem perder de vista os horizontes que avançam e não negam nem a história, nem o futuro.